Nos claustros do mosteiro de Paracleto, na região de Champagne, em França, existem, lado a lado, duas sepulturas; a do grande filósofo medieval Pedro Abelardo e de uma mulher desconhecida, de nome Heloísa.
Estranha-se, num lugar tão sagrado, estas duas sepulturas de uma abadessa e de um ex-abade e filósofo, enterrados como se de marido e mulher se tratassem, sobretudo quando temos presentes as palavras de Gregório o Grande (papa de 590 a 604) numa carta a Santo Agostinho de Canterbury, acerca da mácula do prazer carnal, mesmo no casamento: «Não pretendemos que o casamento seja culpável. Mas porque esta união conjugal lícita não pode ter lugar sem a voluptuosidade carnal, deve-se abster de entrar num local sagrado, a voluptuosidade não podendo ser, quanto a ela, de modo algum sem pecado».
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